Provavelmente é um estado em que ninguém quer estar. Mas muitos estão. Rodeado de pessoas mas ninguém aqui dentro. O estar vazio me remete a um tempo o qual não conhecia a Cristo. Tempo em que buscava desesperadamente me preencher. Era cheia de felicidades momentâneas. Era tudo momentâneo. Hoje, sinto isso. As circunstâncias não são as melhores. Não há perspectivas. Tento, desesperadamente, encontrar dentro de mim o Deus que um dia habitou. Não tem um rastro? Um coração batendo mais forte quando se lê a bíblia ou a emoção de escutar um louvor? Onde foi parar aquele fervor quando no quarto clamava? Onde estão a alegria e o contentamento permanentes?
Talvez a conversão não tenha sido completa, a minha entrega não tenha sido completa e o que eu sentia era o calor da novidade, o calor de se sentir especial e amada por alguém. A mão Dele, aquela que me tirou lá debaixo, saiu de sob a minha cabeça? O que eu vivi era imaturidade espiritual e agora vem a realidade? Cadê aquelas lágrimas fáceis toda vez que me vinha a mente a sua morte na cruz e o porque dela?
É isso. Não estou vazia, estou dormente. Está aqui ainda, adormecido por falta de procura. Como um amor que se não doa diariamente, um dia se apaga. Deus não sumiu. Deus não foi embora. A minha procura que acabou, a minha doação que acabou, a minha devoção que acabou. Poderia eu, por mim mesma, alcançar a Ele sem seu intermediador? Poderia eu agora que despertei do motivo do Seu sumiço, por mim mesma, ir atrás Dele? Através da sua Graça é que posso me achegar novamente como o filho pródigo e me religar. Pai, ainda te colocando como última opção, último recurso, sei que posso me acampar em Ti novamente. Ciente dos pecados que cometi, arrependida de todos eles. Ciente do que não fiz por Ti. Ciente de, por conta própria, não ter Te mantido como minha prioridade. Os meu problemas estão grandes demais. O peso é grande demais. Não estava com tempo para o Senhor. Fui vivendo assim sem enxergar que era você, Deus, a solução de todos eles. Se passaram 6 meses e nada mudou. E sei o porque. Eu achava que o Senhor vinha em primeiro lugar na minha vida. Mas me iludi. Na verdade, não me iludi. Sabia que o Senhor não estava no topo. O amava, O adorava, mas não era minha prioridade. Agora o mundo tá desmoronando e enxerguei. O Senhor é o dono de tudo. Parece óbvio. Mas há a diferença entre saber e entender a dimensão disso. Com certeza, o Senhor está aqui. Em todos os cuidados, me cercando. Olhando pra trás eu posso ver onde o Senhor esteve o tempo todo. Aqui dentro. Não era vazio, Deus. Era dormência.